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O Mensageiro das Estrelas
Foi publicado em 1610, um ano depois de Galileu ter aperfeiçoado o
telescópio ampliando a área dos objetos por um fator da ordem de 1.000 e reduzindo sua distância por um fator da ordem de 30. Apontar o telescópio pela primeira vez para o céu foi um dos grandes momentos da história da ciência: Galileu fez logo toda uma série de descobertas sensacionais que publicou no Sidereus.
Olhando para a Lua, verificou que não era uma esfera perfeita como pretendiam os aristotélicos, mas tinha vales profundos e cadeias de montanhas elevadas, cuja altura conseguiu estimar, a partir da sombra projetada pelos raios solares, como sendo comparável à das montanhas terrestres. Revelou a existência de inúmeras estrelas até então deconhecidas, ou seja, as estrelas visíveis a olhu nu eram apenas uma pequena parte das que apareciam no telescópio, "incrivelmente numerosas".
Desenho de Galileu
Observando Júpiter, Galileu teve sua curiosidade despertada pelo que pareciam ser três "estrelinhas", pequeninas mas muito brilhantes, alinhadas com o planeta. Repetindo as observações em noites sucessivas, durante algumas semanas,percebeu que as "estrelinhas" mudavam de posição com respeito a Júpiter e que, na verdade, eram quatro, das quais uma ou duas se ocultavam, por vezes, atrás do planeta, o que registrou numa série de esboços : * * * O * , * * O * , * * O , * O * * * , ... . Galileu concluiu que se tratava de quatro satélites de Júpiter, cujos períodos de revolução mediu. Era um caso claro de corpos celestes girando em torno de um planeta diferente da Terra, em contradição com o sistema geocêntrico.
Estudando Vênus com seu telescópio, Galileu observou que Vênus mostrava "fases", como a Lua: ora aparecia como um círculo, ora como semi-círculo, em "quarto minguante", etc .. Por conseguinte não tinha luz própria: refletia a luz do Sol. Mas essas observações também contradiziam frontalmente o modelo de Ptolomeu, segundo o qual a órbita de Vênus deveria ser um epiciclo inteiramente contido entre o Sol e a Terra, o que levaria Vênus a aparecer sempre da mesma forma, como um crescente iluminado, sem mostrar fases.
A publicação do Sidereus Nuncius causou grande sensação, ao mesmo tempo em que provocava uma controvérsia apaixonada. As observações foram posta em dúvida e quando Galileu quis demonstrá-las, alguns de seus colegas professores recusaram-se até mesmo a olhar pelo telescópio.
Diz a lenda que Kepler chorou de emoção ao ler o Mensageiro da Estrelas. Era um relatório conciso e despojado, de apenas 24 páginas, mas foi, talvez, o tratado científico que mais profundamente abalou a visão de mundo de uma época. Nele, Galileu anunciava as sensacionais descobertas que havia realizado com o
telescópio.
Afirmava que a Via Láctea não era uma simples mancha esbranquiçada no firmamento, mas contituia uma "incontável multidão de estrelas amontoadas". Dizia também que o número de estrelas fixas visíveis com telescópio superava "mais de dez vezes as conhecidas anteriormente". Que a superfície não era "perfeitamente lisa, livre de desigualdades, nem exatamente esférica", mas era "tal qual a superfície da
própria Terra, diversa por toda a parte, com montanhas elevadas e vales profundos".
Comunicava ainda a observação de "quatro planetas, nunca vistos, desde o começo do mundo". Tratava-se das luas de Júpiter, cuja descoberta derrubava um dos dogmas da cosmologia tradicional, segundo o qual todos os corpos celestes circulavam ao redor do mesmo centro: a Terra.
Pouco mais tarde, Galileu observou que as estrelas e os planetas não eram iguais, quando vistos através do telescópio. As estrelas, disse, "não tem contornos definidos e circulares; são como chamas: brilham, vibram, cintilam", ao passo que "os planetas se apresentam sob a forma de pequenos globos redondos ... uniformemente iluminados". A conclusão era evidente: as estrelas, como o Sol, emitiam luz própria, enquanto os planetas refletiam a luz recebida. Isso seria confirmado, depois, pelo prórpio Galileu, com a descoberta das fases de Vênus. A observação da luz secundária da Lua devida à reflexão terrestre, traria mais um argumento a favor da identificação da Terra com os planetas.
Galileu descobriu, ainda, duas protuberâncias na altura do equador de Saturno. Como telescópio não era sufucientemente poderoso para que ele pudesse perceber os anéis do planeta, atribuiu as protuberâncias a duas pequenas luas, bem próximas à superfície de Saturno.
As descobertas astronômicas de Galileu não trouxeram nenhuma "prova decisiva" a favor do sistema copernicano, mas apresentaram à humanidade um novo Universo.
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